Pontuada pelo clínico/observador a partir de entrevista e observação.
Escala
HAM-D
Escala de Depressão de Hamilton
Avaliação por observador da gravidade de sintomas depressivos.
Uso clínico
Sintomas nos 7 dias anteriores, com exceções para observação psicomotora e perda de peso.
Entrevista clínica conduzida por avaliador treinado.
Recomendada para adultos; evitar extrapolar para outras faixas etárias sem instrumento apropriado.
Itens graduados em 0-2, 0-3 ou 0-4; usar sempre a mesma versão ao comparar resultados.
A escala HAM-D é descrita como domínio público; entrevistas estruturadas relacionadas exigem verificação própria de direitos de uso.
Quando usar
A HAM-D é uma medida de gravidade e acompanhamento, não uma ferramenta diagnóstica.
- Aplicar após avaliação diagnóstica, em paciente com depressão já estabelecida.
- Usar para quantificar sintomas depressivos e acompanhar mudança clínica ao longo do tempo.
- Considerar que a escala enfatiza sintomas melancólicos e físicos, o que pode ser útil em quadros graves, mas exige cautela em comorbidade clínica.
Como pontuar
A pontuação deve refletir o sintoma observado ou relatado na semana anterior.
- Informar ao paciente o objetivo da entrevista e o período avaliado.
- Investigar todos os itens, incluindo presença, frequência e grau de desconforto.
- Pontuar zero quando o sintoma estiver ausente, for duvidoso ou tiver desaparecido por tratamento sintomático.
- Na dúvida entre dois graus de intensidade, selecionar o grau mais intenso.
- Se o sintoma variar durante a entrevista, usar o maior valor observado ou relatado.
Cuidados de aplicação
A confiabilidade depende bastante de treinamento e padronização do avaliador.
- Anotar apenas o que for observado ou relatado; evitar inferências sobre respostas do paciente.
- Pontuar durante a entrevista, respeitando a ordem dos itens e exaurindo cada item antes de seguir.
- Evitar pontuação dupla, especialmente na distinção entre ansiedade psíquica e ansiedade somática.
- Avaliar retardo e agitação ao longo da entrevista, não apenas por pergunta direta.
- Avaliar perda de peso em relação ao peso prévio ao episódio depressivo ou à avaliação anterior.
- Redobrar atenção ao item de suicídio.
Interpretação e limites
O escore é uma medida de intensidade sintomática e depende da versão, do ponto de corte e do observador.
- Não usar como triagem populacional nem como substituto de diagnóstico clínico.
- Evitar aplicação fora da faixa etária recomendada ou em contextos diagnósticos para os quais a escala não foi concebida.
- Sintomas somáticos importantes podem distorcer a pontuação, principalmente quando melhoram ou pioram por condição médica não depressiva.
- A literatura descreve diferentes versões e pontos de corte; comparações longitudinais exigem a mesma versão e o mesmo critério interpretativo.
- A validade de conteúdo da HAM-D não equivale aos critérios diagnósticos atuais; interpretar como escala de gravidade, não como mapa diagnóstico.
Pontos de corte
Validação e confiabilidade
- Consistência interna (α de Cronbach)
- 0,83 a 0,85 (amostra brasileira)
- Confiabilidade interavaliadores (ICC)
- 0,70 a 0,85
- Acurácia em amostra brasileira
- Corte ≥ 9: sensibilidade 0,90 · especificidade 0,91
Referências
- MORENO, Ricardo Alberto; CARNEIRO, Adriana Munhoz. Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D). In: GORENSTEIN, Clarice; WANG, Yuan-Pang; HUNGERBÜHLER, Ines (org.). Instrumentos de avaliação em saúde mental. Porto Alegre: Artmed, 2016. seção 3.1.
- HAMILTON, M. A rating scale for depression. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, v. 23, n. 1, p. 56-62, 1960.
- FREIRE, M. A. et al. Escala Hamilton: estudo das características psicométricas em uma amostra do sul do Brasil. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 63, n. 4, p. 281-289, 2014.
- CARNEIRO, A. M.; FERNANDES, F.; MORENO, R. A. Hamilton depression rating scale and Montgomery-Asberg depression rating scale in depressed and bipolar I patients: psychometric properties in a Brazilian sample. Health and Quality of Life Outcomes, v. 13, art. 42, 2015.
- FREEDLAND, Kenneth E. et al. The Depression Interview and Structured Hamilton (DISH): rationale, development, characteristics, and clinical validity. Psychosomatic Medicine, v. 64, n. 6, p. 897-905, 2002. DOI: 10.1097/01.PSY.0000028826.64279.29.
- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing, 2022.