Uso clínico
FormatoHeteroavaliativa

Pontuada pelo clínico/observador a partir de entrevista e observação.

JanelaÚltima semana

Sintomas nos 7 dias anteriores, com exceções para observação psicomotora e perda de peso.

DuraçãoAté 30 min

Entrevista clínica conduzida por avaliador treinado.

Público18 a 59 anos

Recomendada para adultos; evitar extrapolar para outras faixas etárias sem instrumento apropriado.

Versão17 itens

Itens graduados em 0-2, 0-3 ou 0-4; usar sempre a mesma versão ao comparar resultados.

AcessoDomínio público

A escala HAM-D é descrita como domínio público; entrevistas estruturadas relacionadas exigem verificação própria de direitos de uso.

Quando usar

A HAM-D é uma medida de gravidade e acompanhamento, não uma ferramenta diagnóstica.

  • Aplicar após avaliação diagnóstica, em paciente com depressão já estabelecida.
  • Usar para quantificar sintomas depressivos e acompanhar mudança clínica ao longo do tempo.
  • Considerar que a escala enfatiza sintomas melancólicos e físicos, o que pode ser útil em quadros graves, mas exige cautela em comorbidade clínica.
Como pontuar

A pontuação deve refletir o sintoma observado ou relatado na semana anterior.

  • Informar ao paciente o objetivo da entrevista e o período avaliado.
  • Investigar todos os itens, incluindo presença, frequência e grau de desconforto.
  • Pontuar zero quando o sintoma estiver ausente, for duvidoso ou tiver desaparecido por tratamento sintomático.
  • Na dúvida entre dois graus de intensidade, selecionar o grau mais intenso.
  • Se o sintoma variar durante a entrevista, usar o maior valor observado ou relatado.
Cuidados de aplicação

A confiabilidade depende bastante de treinamento e padronização do avaliador.

  • Anotar apenas o que for observado ou relatado; evitar inferências sobre respostas do paciente.
  • Pontuar durante a entrevista, respeitando a ordem dos itens e exaurindo cada item antes de seguir.
  • Evitar pontuação dupla, especialmente na distinção entre ansiedade psíquica e ansiedade somática.
  • Avaliar retardo e agitação ao longo da entrevista, não apenas por pergunta direta.
  • Avaliar perda de peso em relação ao peso prévio ao episódio depressivo ou à avaliação anterior.
  • Redobrar atenção ao item de suicídio.
Interpretação e limites

O escore é uma medida de intensidade sintomática e depende da versão, do ponto de corte e do observador.

  • Não usar como triagem populacional nem como substituto de diagnóstico clínico.
  • Evitar aplicação fora da faixa etária recomendada ou em contextos diagnósticos para os quais a escala não foi concebida.
  • Sintomas somáticos importantes podem distorcer a pontuação, principalmente quando melhoram ou pioram por condição médica não depressiva.
  • A literatura descreve diferentes versões e pontos de corte; comparações longitudinais exigem a mesma versão e o mesmo critério interpretativo.
  • A validade de conteúdo da HAM-D não equivale aos critérios diagnósticos atuais; interpretar como escala de gravidade, não como mapa diagnóstico.
Pontos de corte
0–7Normal
8–17Depressão leve
18–24Depressão moderada
25+Depressão grave
Validação e confiabilidade
Consistência interna (α de Cronbach)
0,83 a 0,85 (amostra brasileira)
Confiabilidade interavaliadores (ICC)
0,70 a 0,85
Acurácia em amostra brasileira
Corte ≥ 9: sensibilidade 0,90 · especificidade 0,91
Referências
  • MORENO, Ricardo Alberto; CARNEIRO, Adriana Munhoz. Escala de Depressão de Hamilton (HAM-D). In: GORENSTEIN, Clarice; WANG, Yuan-Pang; HUNGERBÜHLER, Ines (org.). Instrumentos de avaliação em saúde mental. Porto Alegre: Artmed, 2016. seção 3.1.
  • HAMILTON, M. A rating scale for depression. Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry, v. 23, n. 1, p. 56-62, 1960.
  • FREIRE, M. A. et al. Escala Hamilton: estudo das características psicométricas em uma amostra do sul do Brasil. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, v. 63, n. 4, p. 281-289, 2014.
  • CARNEIRO, A. M.; FERNANDES, F.; MORENO, R. A. Hamilton depression rating scale and Montgomery-Asberg depression rating scale in depressed and bipolar I patients: psychometric properties in a Brazilian sample. Health and Quality of Life Outcomes, v. 13, art. 42, 2015.
  • FREEDLAND, Kenneth E. et al. The Depression Interview and Structured Hamilton (DISH): rationale, development, characteristics, and clinical validity. Psychosomatic Medicine, v. 64, n. 6, p. 897-905, 2002. DOI: 10.1097/01.PSY.0000028826.64279.29.
  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing, 2022.