Pontuada pelo clínico/observador; 9 itens baseados no relato do paciente e 1 na observação do aplicador.
Escala
MADRS
Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg
Avaliação de gravidade e mudança clínica em sintomas depressivos.
Uso clínico
Sintomas relatados e observados nos 7 dias anteriores.
Entrevista clínica conduzida por avaliador treinado.
Cada item de 0 a 6; abrange os principais sintomas depressivos, exceto o retardo psicomotor.
Ênfase em itens de humor e cognitivos, sensível à mudança ao longo das semanas; também usada em idosos.
Uso livre; versões de entrevista estruturada existem em inglês, sem validação brasileira específica.
Quando usar
A MADRS é uma medida de gravidade e de mudança clínica, não uma ferramenta diagnóstica.
- Aplicar em paciente com depressão já estabelecida, para quantificar a gravidade.
- Especialmente útil para acompanhar a resposta ao tratamento ao longo das semanas, por ser sensível à mudança.
- Pode ser aplicada em idosos, por avaliar aspectos cognitivos do humor.
Como pontuar
Soma dos 10 itens, cada um de 0 a 6, totalizando de 0 a 60.
- Usar pontos intermediários (1, 3, 5) quando o quadro fica entre dois descritores.
- Pontos de corte (Müller-Thomsen et al.): 0-8 remissão; 9-17 leve; 18-34 moderado; ≥ 35 grave.
- Para remissão, um escore ≤ 10 também pode ser adotado, equiparável ao escore 7 da HAM-D.
Cuidados de aplicação
Entrevista por avaliador treinado; quando o paciente não puder responder, usar outras fontes.
- Conduzir como entrevista clínica, não como questionário autoaplicado (a MADRS-S, autoaplicada, é instrumento distinto).
- Em casos graves em que o paciente não consiga responder, usar informações de outras fontes.
- Manter a mesma versão e o mesmo avaliador ao comparar resultados no tempo.
Interpretação e limites
O escore quantifica gravidade; não substitui a avaliação diagnóstica.
- Não estabelece diagnóstico de depressão; interpretar junto da entrevista clínica.
- Não avalia o retardo psicomotor, ao contrário da HAM-D.
- As versões de entrevista estruturada ainda não foram validadas no Brasil.
Pontos de corte
Referências
- MONTGOMERY, Stuart A.; ÅSBERG, Marie. A new depression scale designed to be sensitive to change. The British Journal of Psychiatry, v. 134, n. 4, p. 382-389, 1979.
- DRATCU, Luiz; RIBEIRO, Letícia C.; CALIL, Helena M. Depression assessment in Brazil: the first application of the Montgomery-Åsberg Depression Rating Scale. The British Journal of Psychiatry, v. 150, n. 6, p. 797-800, 1987.
- CARNEIRO, Adriana M.; FERNANDES, Fernando; MORENO, Ricardo A. Hamilton depression rating scale and Montgomery-Åsberg depression rating scale in depressed and bipolar I patients: psychometric properties in a Brazilian sample. Health and Quality of Life Outcomes, v. 13, art. 42, 2015.
- SILBERMAN, Cláudia D.; CARNEIRO, Adriana M.; MORENO, Ricardo A. Escala de Depressão de Montgomery-Åsberg (MADRS). In: GORENSTEIN, Clarice; WANG, Yuan-Pang; HUNGERBÜHLER, Ines (org.). Instrumentos de avaliação em saúde mental. Porto Alegre: Artmed, 2016. seção 3.2.
- AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed., texto revisado. Washington, DC: American Psychiatric Association Publishing, 2022.